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Contos livres e Textos sobre o super-herói O Gralha... archives Sábado, Julho 08, 2006 b posted by EDUARDO MOREIRA 1:01 AM Quinta-feira, Setembro 30, 2004 Gralha Azul Gralha azul é o nome dado a uma linda córvida que motivou no Paraná, a tradição de plantadores de pinheiros, enterrando as sementes com a ponta mais fina para cima e devorando a cabeça, que seria a parte aprodecível. Não deve ser abatida e é comumente respeitada pelo povo como ave protetora dos pinheirais. E os pinheiros vão nascendo. "Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão, do pinhão nasce o pinheiro..." Pinhão que alegra as nossas festas, onde o regozijo barulhento é como um bano de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais do Paraná. Seus galhos são braços abertos, permanentemente abertos, repetindo às auras qual o emblema que embala o Meu convite eterno "Vinde a Mim todos..." A gralha por alguns instantes atingiu as alturas. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver o seu próprio corpo, observou que estava todo azul, somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo. Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, voltou célere para os pinheirais, tão alegre ficou que seu canto passou a ser verdadeiro alarido que mais parece as vozes de crianças brincando. A gralha azul voltou, alegre e feliz iniciou o seu trabalho, de ajudante celeste. posted by EDUARDO MOREIRA 4:40 PM A Lenda da Gralha Azul
Pois foi à fazenda dos Pinheirinhos que veio ter um dia o Fidêncio Silva, homem de grandes negócios, com casa matriz em Curitiba e filial em Ponta Grossa. Havia muito já que não experimentava descanso daquela agitação comercial em que vivia e a necessidade de um repouso prolongado tornara-se-lhe cada vez mais patente. Ora, Fidêncio Silva era parente afastado da esposa de José Fernandes. Assim, logo que pensou em descanso, lembrou-se dos Pinheirinhos, longe daquele bulício de transações e onde o clima não podia ser mais saudável. E não tardou que estivesse a sorver em largos haustos, com evidente contentamento, o ar puro e varrido da campanha guarapuavana. José Fernandes recebeu-o fidalgamente, como costumava fazer para todos que traziam uma certa importância de responsabilidades. Pôs os Pinheirinhos à disposição do seu hóspede pelo tempo que desejasse: um, dois, três meses e mais se lhe aprouvesse. Ali teria plena liberdade; quando não quisesse sair nas ocasiões de rodeio, poderia ficar em casa, a uma sombra do pomar, folheando qualquer livro da sua biblioteca quase totalmente agrária, mas que possuía, também, alguma literatura. E passeios igualmente não faltariam: um dia voltearia um rincão; outro iria às terras de planta, levando espingarda para espantar algum tateto; hoje faria uma caçada de anta mais para o sertão ou sairia a passarinhar pelos capões; amanhã correria a vizinhança, ouvindo prosa de caboclos; e até pescaria, se quisesse., poderia fazer no picuiry, três léguas sertão adentro. Dessa maneira não havia como não corressem agradabilíssimos os trinta dias que Fidêncio Silva pretendia passar nos Pinheirinhos. E assim foi. Um domingo depois do almoço, saiu à caça com o fazendeiro. Bem municiados, espingardas suspensas pelas bandoleiras ao ombro, entranharam-se os dois por extenso e tapado capão, ¿querência certa de muito veado, cutia e quati¿ - afirmava o José Fernandes. Mas a sua asserção foi logo posta em cheque pela evidência dos fatos: os caçadores não viam um só animalzinho que merecesse chumbo grosso, embora já tivessem andado muito. Passaram então a sondar a ramagem, na esperança de divisar algum pássaro de saborosa carnadura. Em certo momento Fidêncio Silva parou e fez um sinal de silêncio ao companheiro. Depois, engatilhou, apressado, a arma e firmou pontaria, visando a fronde de retorcida guabirobeira. O fazendeiro procurou a caça, erguendo o olhar para a direção indicada pelo cano da espingarda. Súbito, um tremor sacudiu-lhe o corpo, e, de um pincho, esteve ele ao lado de Fidêncio Silva. Mas já era tarde: o rebôo do tiro perdia-se molemente pelas quebradas da mata, soturno, a evocar tristeza naquela quietude frouxa de um mormaço estonteante. A expressão condoída da fisionomia do José Fernandes durou pouco e de todo desapareceu ao ruflar das asas ligeiras esgueirando-se assustadiças por entre as tramadas franças. O atirador errara o alvo e, boquiaberto, todo interrogação, estacava os olhos no fazendeiro, que, ainda com a mão no cano da arma, que pretendera desviar antes do tiro partir, desafogava um longo suspiro de satisfação. - Meus parabéns!, foram as primeiras palavras de José Fernandes, entre irônicas e zombeteiras. - Parabéns!?, exclamou, ainda mais intrigado, o Fidêncio Silva. - Então não merece cumprimentos o caçador que erra tiro em gralha azul? Renovo-os: toque nestes ossos! E estendeu a destra. - Quero compreender as suas palavras, mas creia, não posso atinar com o porquê de seu arrebatamento de há pouco. Não matar com carga de chumbo um pássaro do tamanho dessa gralha, concordo que seja péssimo atirador; porém... - Não. Não o censurei por errar. Muito pelo contrário: apresentei-lhe os meus sinceros parabéns. Confundido, meio envergonhado, o Fidêncio Silva confessou: - O amigo tem, então, duas coisas para explicar-me. - Uma só, uma só. Emendou logo o fazendeiro. Há coerência entre as minhas palavras e a anterior atitude. Eu lhe conto tudo. Sente-se aí nesse tronco caído e escute-me. O negociante obedeceu maquinalmente. Depois tirou de um lenço e pôs-se a enxugar o suor que lhe escorria pelo rosto, enquanto que, largando o corpo preguiçosamente sobre a trançada grama, José Fernandes foi falando assim: - Era no inverno, quinze anos atrás. Havia muita seca e o gado caía de magro. Certa tarde montei o cavalo e saí a costear banhados e percorrer sangas, na esperança de salvar alguma criação que porventura se atolasse ao saciar a sede. Levava comigo uma velha espingarda de ouvido, que sempre me acompanhava, porque naquele tempo não poupava graxaim que encontrasse pelo campo, a negociar leitões e carneirinhos. Pois bem, regressava para casa., vagaroso, o pensamento nos grandes prejuízos que a seca estava ocasionando, quando vi um bando de gralhas azuis descer à beira de um capão, entre numeroso grupo de pinheirinhos. Para afugentar, ainda por pouco, a minha tristeza, acrescida pelo fato de ter naquela volteada encontrado mais duas reses estraçalhadas pelos corvos, resolvi dar caça àqueles animaizinhos. Aproximei-me cauteloso, apeando a respeitosa distância. Não muito longe, deti-me à sombra de um pinheirinho e contemplei, por instantes, o bando. Eram poucas as gralhas, e notei que revolviam o solo com o bico. Fazer pontaria e puxar gatilho foi obra de um momento. Mas, ai! Que horrível o segundo que se lhe seguiu: a espoleta estraçalhou-se e vários estilhaços, de mistura com resíduos da pólvora, vieram dar em cheio em meu rosto. Tonteei, bambearam-se-me as pernas e caí sobre a macega. Quanto tempo estive desacordado, não lhe sei dizer. Antes, porém, de recuperar os sentidos, quando o sol já se encobria por trás da mata, um pesadelo fabuloso, qual uma história de fadas, gravou-se-me na memória. Revi-me de arma em punho, pronto para fazer fogo. Quando o fiz, iluminou-se o alvo e, aberta as asas brilhantes, o peito a sangrar, veio ele de manso, se achegando a mim. Os pés franzinos evitavam os sapés esparsos pelo chão e o andar esbelto tinha qualquer coisa de divino. Dardejante o seu olhar, estremeci ante aquela figura de ave e deixei cair a arma. Estático já, estarreci ao ouvir os sonoros e compreensíveis sons que aquele delicado bico soltava naturalmente. Dizia a gralha: ¿És um assassino! Tuas leis não te proíbem matar um homem? E quem faz mais do que um homem não vale pelo menos tanto quanto ele? Eu, como humilde avezinha, entoando a minha tagarelice selvagem como o marinheiro entoa o seu canto de animação na véspera de praticar seus feitos, faço elevar-se toda essa floresta de pinheiros; bordo a beira das matas com o verdor dessas viçosas árvores de ereção perfeita; multiplico, à medida de minhas forças, o madeiro providencial que te serve de teto, que te dá o verde das invernadas, que te engorda o porco, que te locomove dando o nó de pinho para substituir o carvão-de-pedra nas vias férreas. E ignoras como eu opero!... Vem. Acompanha-me ao local onde me interrompeste o trabalho, para aprenderes o meu doce mister. Vês? Ali está a cova que eu fazia e, além, o pinhão já sem cabeça, que eu devia nela depositar com a extremidade mais fina para cima. Tiro-lhe a cabeça porque ela apodrece ao contato da terra e arrasta à podridão o fruto todo, e planto-o de bico para cima a fim de favorecer o broto. Vai. Não sejas mais assassino. Esforça-te, antes, por compartilhar comigo nesta suave labuta.¿ A gralha desapareceu e eu voltei à razão. Levantei-me a custo e fui ter ao local escavado pelas aves, uma das quais jazia com o peito manchado de sangue, ao lado de um pinhão já sem cabeça. Admirado, verifiquei a certeza da visão: mais adiante cavouquei com as mãos a terra revolvida de fresco e descobri um pinhão com a ponta para cima e sem cabeça. O José Fernandes fez uma pausa e depois concluiu, mal encobrindo a sua alegria: - Aí está, caro Fidêncio, como vim a ser um plantador de pinheiros. Quero valer mais que um homem: quero valer uma gralha azul! -------------------------------------------------------------------------------- Lendas Brasileiras / Câmara Cascudo. - Rio de Janeiro: Ediouro, 2000 Ilustrações de J. Lanzellotti posted by EDUARDO MOREIRA 4:31 PM
Era madrugada, o sol não demoraria a nascer e a gralha ainda estava acomodada no galho amigo onde dormira à noite, quando ouviu a batida aguda do machado e o gemido surdo do pinheiro. Lá estava o machadeiro golpeando a árvore para transformá-la em tábuas. Quantos anos levou a natureza para que o pinheiro atingisse aquele porte majestoso e agora, em poucas horas, estaria estendido no solo, desgalhado e pronto para entrar na serralheria do grotão. A gralha acordou. As pancadas repetidas pareciam repercutir em seu coração. Num momento de desespero e simpatia, partiu em vôo vertical, subiu muito além das nuvens para não ouvir mais os estertores do pinheiro amigo. Lá nas alturas, escutou uma voz cheia de ternura: - Ainda bem que as aves se revoltam com as dores alheias. A gralha subiu ainda mais, na imensidão. Novamente a mesma voz a ela se dirigiu: - Volte avezinha bondosa, vai novamente para os pinheirais. De hoje em diante, Eu a vestirei de azul, da cor deste céu e, ao voltar ao Paraná, você vai ser minha ajudante, vai plantar os pinheirais. O pinheiro é o símbolo da fraternidade. Ao comer o pinhão, tira-lhe primeiramente a cabeça, para depois, a bicadas, abrir-lhe a casca. Nunca esquece de antes de terminar o seu repasto, enterrar alguns pinhões com a ponta para cima, já sem cabeça, para que a podridão não destrua o novo pinheiro que dali nascerá. E os pinheiros vão nascendo. "Do pinheiro nasce a pinha, da pinha nasce o pinhão... "Pinhão que alegra nossas festas, onde o regozijo barulhento é como um bando de gralhas azuis matracando nos galhos altaneiros dos pinheirais do Paraná. Seus galhos são braços abertos, permanentemente abertos, repetindo às auras que o embalam o meu convite eterno: Vinde a mim todos..." A gralha por uns instantes atingiu as alturas. Que surpresa! Onde seus olhos conseguiam ver o seu próprio corpo, observou que estava todo azul. Somente ao redor da cabeça, onde não enxergava, continuou preto. Sim preto, porque ela é um corvídeo. Ao ver a beleza de suas penas da cor do céu, voltou célere para os pinheirais. Tão alegre ficou que seu canto passou a ser um verdadeiro alarido que mais parece com vozes de crianças brincando. A gralha azul voltou. Alegre e feliz iniciou seu trabalho de ajudante celeste. Fonte: Texto de Alceu Maynard Araújo Através da Lei Estadual nº 7957 de 21 de novembro de 1984, o Governo do Estado declara a Gralha Azul, ave símbolo do Paraná. posted by EDUARDO MOREIRA 4:29 PM Domingo, Junho 06, 2004 E eis o texto de Rudney Flores que foi publicado neste domingo no Caderno G da Gazeta do Povo... Tako X finaliza o novo curta-metragem do herói curitibano A nova aventura do Gralha Filme tem a participação especial e explosiva do "Oil-Man" O primeiro super-herói genuinamente curitibano está retornando às telas este ano em um novo curta-metragem. Já está finalizado Um Encontro Explosivo, a segunda aventura do Gralha no cinema, dessa vez batendo de frente com outro personagem pitoresco da capital paranaense: o Oil-Man. Dirigido e roteirizado por Tako X, o vídeo deverá ser lançado no 8.º Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba, que acontece no próximo mês. O Gralha foi criado há seis anos por um jovem grupo de cartunistas de Curitiba, entre eles Tako e Edu Jr. Moreira, que interpreta o herói nos filmes. Depois de uma passagem pelas páginas da Gazeta do Povo " com tiras publicadas no caderno FUN, de 98 a 99 ", o personagem chegou às telas no divertido curta O Ovo ou a Galinha (lançado no ano passado), em que enfrentava seu principal inimigo, o Craniano (vivido por Tarciso Jr.).
Edu Jr. Moreira veste o uniforme do super-herói curitibano em mais um curta-metragem. (Foto de Jonatham Campos/Gazeta do Povo) A fita levou o prêmio do público na categoria vídeo da edição 2003 do Festival de Curitiba, além de ter participado dos festivais de Santa Maria e Florianópolis, e de ser apresentado em vários estados do país em mostras universitárias e de quadrinhos, sempre com boa resposta de público. Segundo Moreira, a produção será lançada brevemente em um DVD que terá muito material extra: making of; todas as faixas da trilha sonora original, com informações sobre as bandas; 20 histórias em quadrinhos do Gralha; todos os quadrinhos do personagem Marco, criado por Tako X e publicado por alguns anos na Gazetinha; e o curta Deu na Cabeça, que mostrou como o Gralha apareceu pela primeira vez no cinema. "Ficamos quase um ano e meio produzindo esse material", informa o cartunista e ator. Bem-humorado, como seu antecessor, Um Encontro Explosivo é um trabalho dividido em três partes. Abrindo o vídeo, há uma animação de um confronto entre o herói e o vilão Craniano, realizada por Moreira. Na seqüência, vem o embate entre o Gralha e o Oil-Man. Tako lembra que a idéia do encontro do herói com a hoje tradicional persona do biólogo Nelson Rebello (que besunta o corpo com óleo e sai andando de bicicleta pelas ruas da capital) aconteceu depois do sucesso de sua pequena participação em O Ovo e a Galinha (numa cena rápida com o Craniano). "Quando a gente exibia o filme aqui na cidade ou mesmo em outros lugares, a parte que as pessoas mais riam era quando o Oil-Man aparecia", revela. Tako escreveu o roteiro, mas sem consultar Rebello sobre sua possível atuação. Inicialmente, ele não quis participar da fita, apenas aceitou liberar o nome do personagem para ser interpretado por um ator. Mas gostou do roteiro e foi convencido a atuar pelos companheiros de seu grupo musical (Oil Band), que acabam tocando uma música no filme. "Ele topou alguns dias antes da filmagem. Ficamos com medo, porque ele se atrasou no dia em que gravamos o vídeo. Mas ele veio e foi muito simpático e solícito", lembra o diretor. Finalizando o curta, há um trailer de um longa do paladino curitibano, que os criadores gostariam de realizar num futuro próximo - fechando as cenas, eles colocam a frase "Breve nos cinemas, se alguém se interessar em patrocinar". "Nós não queremos fazer filmes nos moldes dos que já foram feitos, totalmente sem recursos, dependendo da ajuda de amigos, mesmo que eles façam isso no maior companheirismo. A intenção é fazer um longa como está no trailer, seja através de patrocinadores ou lei de incentivo", comenta Moreira. O Ovo e a Galinha, feito em betacam, custou R$ 2 mil. Para realizar Um Encontro Explosivo em vídeo digital foi gasto um valor ainda menor ¿ mas se todos os que participaram fossem pagos realmente, o custo de cada fita ficaria na casa dos R$ 50 mil. "Gostaria de deixar claro que não recomendo que os filmes sejam feitos dessa forma. Estamos fazendo assim, porque as pessoas participam de muita boa vontade, pois entraram em sintonia com a nossa proposta, contribuindo para o Gralha se torne uma coisa interessante", comenta Tako, que confirma que já existe um projeto de longa montado pela Cooperativa Photom Filmes (que produziu os curtas), que deve ser inscrito nas leis Rouanet e Municipal de Incentivo à Cultural de Curitiba. O diretor lembra que ninguém tinha se arriscado a fazer filmes sobre super-heróis no Brasil antes do Gralha. "Fomos lá e fizemos para ver como ficava. E as pessoas estão respondendo ao trabalho de maneira fantástica", avalia. "O personagem acabou se tornando um representante da cidade, o curitibano se identifica com os filmes. O Gralha está próximo da nossa realidade", completa Moreira. Tako informa também que o Gralha pode chegar aos palcos curitibanos ainda este ano, numa peça produzida por Edson Bueno. "Ele tem um argumento da história, mas ainda não está nada definido. Estou cobrando dele até, ligo sempre perguntando", conta. Rudney Flores - Gazeta do Povo posted by EDUARDO MOREIRA 11:11 AM Sábado, Junho 07, 2003 Sexta-feira, Abril 04, 2003 Da série contos livres do Gralha: Um conto de Edu Moreira MEU VIZINHO É UM SUPER-HERÓI Parte I Gustavo Gomes é secretamente o Gralha, um super-herói que vive na cidade de Curitiba num futuro não muito distante, mas ainda muito parecido com a nossa época em muitos aspectos, como o voyerismo por exemplo... Lunetas, binóculos e cameras digitais de longo alcance e visão noturna, infra-vermelho e micro-ondas, captadores direcionados ultra-sensíveis de som e outras parafernálias robóticas miniaturizadas são produtos comum neste cenário... Big-Brother pode ser qualquer casa ou apartamento de uma pessoa ou família descuidada, ou ainda empresas podem ser espionadas sem muito esforço por qualquer pessoa mais ou menos curiosa... enfim, qualquer um pode ser um espião, e privacidade é uma palavra cada vez mais em desuso, ou sem sentido. Gustavo Gomes sempre fora muito cuidadoso, principalmente quanto a manter a identidade secreta do Gralha... afinal um super-herói, que saí por aí fantasiado de passarinho lutando contra todo tipo de maluco, de super-vilões a bandidos mediocres, tem que preservar sua vida comum se quiser ter pelo menos um pouco de paz. É neste momento entra em cena um novo personagem... um vizinho indiscreto de Gustavo, cujo curioso seria um adjetivo muito brando para defini-lo, ele flagra uma cena das mais inéditas que suas lentes já puderam captar... não era com certeza o que ele estava buscando, mas chamou sua atenção, um homem fantasiado voando aparentemente sem nenhum veículo ou aparato está chegando ao prédio defronte ao seu, abrindo a janela por fora e entrando... não bastasse isso, retira a fantasia e cai desmaiado, exausto, no sofá da sala murmurando algo como... _Maldito Craniano... se não fossem os teus robôs hoje, você não me escaparia... assassino... amanhã... eu... zzzzz... Nosso indiscreto vizinho por trás das lentes não tem idéia de como assimilar essa nova informação... devido sua quase ignorância quanto aos feitos do maior herói da sua cidade... mas percebe aqui um assunto no qual sua curiosidade pode se aprofundar... tem início uma investigação ao morador do apartamento 5607 do 56° andar do Edifício Eduardo VII, Praça Tiradentes no centro velho de Curitiba; Gustavo Gomes, o Gralha... Dia seguinte, perto do meio-dia, Gustavo Gomes se move lentamente no sofá... e percebe que exceto pela máscara, ainda está vestindo o uniforme do Gralha, que de tão exausto dormira no sofá mesmo, a janela ficou aberta, venta e está muito frio, a própria capa do super-herói lhe havia servido de cobertor... Gustavo sente o seu corpo latejar ainda, dores que nem mesmo as Gemas do Poder podem protege-lo ou ajudar a sarar... pois não são dores musculares, dói no íntimo de Gustavo, no ego, dói não ter sido bem sucedido contra mais esta investida do vil Craniano, debaixo da água cíclica do chuveiro, aos poucos ele lembra de como havia sido a noite. O Craniano e quatro de seus velhos robôs autômatos haviam invadido a estação central do Ligeirinho, que faz todas as conecções da cidade, no meio da estação... seus robôs pareciam escavadeiras perfurando, arrebentando o solo em meio as pessoas que fugiam apavoradas do perigo de serem atingidas por um pedaço de concreto ou mesmo esmagado por uma pesada máquina de quase três metros de altura que se move rápido e sem se importar com meros humanos no meio do caminho, afinal estes gigantes de ferro enferrujado nâo foram programado para respeitar nada, muito menos a vida. Enquanto isso Gustavo acaba de descer do coletivo recém chegado a estação, percebe que o movimento está muito maior que o normal, e ainda tentando se situar, segue em sentido contrário a multidão deparando-se com a cena absurda, percebe que esta é uma situação que não precisa ser nescessáriamente entendida para se combater, afinal proteger a vida de qualquer pessoa indefesa e cessar imediatamente toda situação de risco público é a primeira função real do verdadeiro herói. Rápidamente sai de cena o moleque com mochila de estudante nas costas, e entra em ação o paladino mascarado com sua veste azulada e capa esvoaçante. Voando por cima da multidão que em fuga deseperada não percebe estar passando por cima de pessoas caídas... o Gralha solta um grito silêncioso, numa frequência que não é percebida pelo ouvido humano, e quebra o pânico descontrolado... percebendo que não havia mais motivos para aquela correria insana os populares escutaram o pedido do homem-passarinho: levar os que nescessitavam de cuidados para fora do complexo terminal... e... organizadamente... a ainda meio hipnotizada população atende, buscando ajuda no hospital que fica logo em frente... mas para o Gralha isso era apenas o começo... Alheio a tudo que se passava em volta, o Craniano mantinha-se focado em seu objetivo, e comandava seus autômatos num buraco enorme que fora feito em poucos minutos... e súbito sobe do buraco uma forte luz esverdeada, o homenzinho negro alcatrão com cabeça desproporcional e feições fúnebres esboça o que parecia ser um sorriso... e entra no enorme buraco... que se revela mais fundo do que poderia se imaginar... pois a estação central ficava exatamente em cima de uma fonte de energia poderosíssima, que era mantida secreta pelo governo, o qual falava que a energia para os coletivos vinha das usinas núcleares não poluentes que ficavam fora da cidade... O Gralha entra logo em seguida atrás do seu inimigo, que acaba de revelar mais este perigo para a população da cidade... mas mais uma vez tarde demais... pois a fonte de energia já fora retirada do seu lugar... e dois autômatos se preparam para alçar vôo, enquanto o teto do complexo parece ruir... trava-se uma batalha entre o herói e outros dois gigantes, que logo são derrotados, mas serviram para pará-lo tempo suficiente para a fuga do vilão e sua preciosa mercadoria... e quando o Gralha finalmente ia atrás dele pessoas que ainda permaneciam na parte da estação acima gritam por socorro... pois estava desabando tudo e o herói acaba servido de apoio ao prédio em ruinas até que ele fique completamente vazio... Gustavo Gomes sai do flash-back desligando a torneira do que parecia ter sido o seu banho mais demorado... e andando pela sala não percebe que era alvo mais uma vez, agora de lentes que vigiavam seus passos dentro de casa... lentes, não de um novo super vilão, ou um inimigo maluco, mas de uma pessoa comum, que ainda não tem idéia do que fazer com a informação descoberta... mas que aproveitara a noite e pesquisara toda a vida de seu vizinho nos computadores da rede, e já tinha coletado mais informações do que conseguiria ler dos dois personagens... O Gralha, o super famoso e aclamado Vigilante das Araucárias, que tinha a sua vida diária descrita na mídia, jornais e grupos de discução, sem contar nas próprias publicações ofíciais da polícia... e do garoto, estudante de cursinho pré-vestibular sem muito destaque, com notas baixas... Gustavo Gomes... CONTINUA ... posted by EDUARDO MOREIRA 11:54 AM Da série contos livres do Gralha: Uma FANFIC de Leonardo Melo ASSASSINO À SOLTA... FANFIC Curitiba, Paraná. Mais precisamente no Jardim Social, onde realiza-se uma alegre confraternização entre amigos... - Truco, papudo!!! - Luciano bate no ombro de Jairo. (Estão todos nos fundos da casa, jogando um truquinho básico, do lado da churrasqueira. Todos bêbados, logicamente.) - Tá passando facão, Laza!!! - (Rogério Coelho fala enquanto troca as cartas com Jairo. De repente, alguém sai de dentro da casa, se aproximando de todos eles. Luiz Augusto se caga de rir ao vê-lo:) - Hahahaha, quem é esse com essa fantasia ridícula???? - Deve ser o José. Tá muito obcecado com o Gralha... - (complementa Augusto Freitas. Entretanto, o vulto não responde... e apenas joga uma granada em cima da mesa de truco. A granada explode. ) (No outro dia, de manhã, Gustavo Gomes toma café assistindo à tevê...) - ...ainda estão buscando pistas quanto ao incidente de ontem à noite. Dentre as vítimas, estavam: Luciano Lagares, Jairo Rodrigues, Rogério Coelho, Luiz Augusto, Alessandro Dutra e Augusto Freitas. A polícia continua o trabalho para identificar outras que ainda não foram... Nisso, o Gustavo indaga consigo mesmo... - Isso é... aterrador! Mas não faz o estilo de nenhum de meus inimigos. Será que é um novo vilão? (Prontamente, nosso herói deixa de lado o café da manhã e abre seu armário, onde está guardado o uniforme. E fala para ele:) - Vamos lá, amigão. Mais uma missão para o Gralha. Próximo da hora do almoço. Residência de Nilson Muller. - Vá levar o lixo pra fora, homem, faça alguma coisa!!!! - (A mulher dele, berrando de dentro da casa enquanto ele sai com o lixo) - Tô indo, mulher, tô indo... ah, Meu Deus... -(Ele coloca o lixo na cesta e em seguida, se debruça sobre o muro de sua casa, suspirando.) (Muller fica alguns segundos pensando na vida. Até que decide voltar para dentro e, quando se vira, arregala os olhos:) - O que? Ah, Meu Deus!!! Meu Deus, não!!!! (E em seguida, o sangue jorra no ar. Sua cabeça é arremessada na rua.) (Enquanto isso, o Gralha sobrevoa a cidade. De repente, decide pousar e continuar a pé. Ele entra numa lanchonete...) - Ei, o Gralha!!! Como posso servir o herói da cidade? - Dá umas traquinas. Isso ainda existe? - Existe sim, eles lançaram um novo sabor que explode na boca... literalmente! - Parece violento demais... (A discussão é interrompida pelo rádio do dono da lanchonete:) - ...o assassino voltou a atacar! Nilson Muller e Gian Danton são as novas vítimas... - Pode deixar, eu perdi o apetite... -(Ele rapidamente sai voando...) Noite. Um cansado José Aguiar sai do Solar do Barão, carregando sua pasta de desenhos... Tudo o que ele mais deseja no momento é chegar em seu luxuoso apartamento, encontrar sua mulher, checar seus e-mails pela enésima vez e descansar. Coitado. (Ao dobrar a esquina, José dá de cara com...) - O-o... o que??? O Homem - Lambrequim!!! Mas isso é impossível!!! (E sem hesitar, o Homem-Lambrequim ergue se machado e desfere um golpe em José, que se defende com a pasta. A pasta é destroçada.) - N-não!!! Meus trabalhos!!! Tanto tempo... desperdiçado!!! Vou te dar uma dica, Homem-Lambrequim... nunca mexa com um fã de Histórias em Quadrinhos!!!!!O Homem-Lambrequim fica surpreso. Ele não esperava que Aguiar reagisse. A luta dura alguns minutos... ...mas nada mais do que isso... E, inevitavelmente, Curitiba encontra os raios de sol novamente... (Do topo do Shopping Itália, O Gralha está indignado...) -Nada. Passei a noite procurando e nem sinal do assassino. E ele fez mais uma vítima. O corpo de José Aguiar foi encontrado próximo do Solar do Barão. Mas por que diabos esses nomes me soam tão familiares? José Aguiar, Luciano Lagares, Nilson Muller... espere um minuto... mas é claro!!! Como não percebi isso antes???- (Animado, o Gralha salta do topo do prédio, desfilando nos céus com a graça que só ele seria capaz de descrever...) - Eles são a equipe criadora das minhas histórias! Meus roteiristas e desenhistas! Alguém está tentando me eliminar da existência matando eles!!! O Gralha cruza a cidade em minutos, até chegar no estúdio da ELENCO e HQNET ... - Não!!! -(Entretanto, quando ele chega no estúdio, a posta está arrombada e ele encontra apenas o corpo ensanguentado de Edu Moreira sobre seu iMac. Mas ainda chega em tempo de ouvir o assassino escapando pela janela...)- Ele está fugindo!!! Eu não vou deixar!!! E começa a perseguição. Agora, o paladino azul conhece seu inimigo. E nada permitirá que ele escape... (O Gralha voa sobre o Homem-Lambrequim, que corre do herói. Este simplesmente descreve um vôo rasante, o agarrando pelas costas, o erguendo e o arremessando contra a parede próxima. O vilão fica atordoado. O Gralha aterrissa:) - Já chega, Homem-Lambrequim. Eu percebi seu plano antes que o concluísse. Agora, seu reinado de terror terminou! (Em instantes, a polícia está levando novamente o assassino do machado. E o herói assiste o resultado de sua vitória...) -Missão cumprida. Já posso dormir, mas isso não alivia o peso das mortes em meus ombros...- E assim, nosso herói parte, para dar lugar a seu alter ego mais uma vez. Gustavo Gomes irá dormir pelo resto da manhã e quase toda a tarde. Entretanto, enquanto ele dorme, no estúdio dos Kohatsus... (Edson Kohatsu trabalha atentamente em seus desenhos. Uma sombra vai ficando cada vez maior em suas costas... até que ele ouve uma voz...) - Edson Kohatsu... (Ele se vira e se assusta, espantado com o que vê:) - V-você??? Então era você o tempo tod... argh!!!!!!! (Gustavo acorda uma vez mais...) - Unh... dormi pra caramba... o que tá passando na tevê? -(Ele liga com o controle remoto) - ...e a morte de Edson Kohatsu indica que, apesar do Gralha ter prendido o Homem-Lambrequim, o verdadeiro assassino continua à solta... (Num quadrinho, o leitor vê Gustavo ligando a tevê. No segundo, ele vê a tevê. No terceiro, ele vê apenas o apartamento vazio e a janela aberta.) Apartamento de Antõnio Éder. A campainha toca. Ele vai atender, armado com uma faca, já esperando pelo assassino... ele abre a porta e se assusta:) - Você!!!! ... o Gralha!!! - Sou eu, Antônio. Você está bem? - Por enquanto sim, entre. Eu esperava que viesse. -(Ele fecha a porta enquanto o herói entra.)- Que diabos está acontecendo? - Alguém pretende me eliminar matando todos vocês. Algum de meus inimigos... - Mas... mas isso é impossível! Para alguém estar fazendo isso, algum de nós precisava estar escrevendo esta história. E não tem ninguém escrevendo uma história do Gralha no momento! - Hm... todos morreram... tem razão... não, espere! Ainda sobrou um!!! - Quem? (Antônio pergunta, mas ambos respondem ao mesmo tempo:) - O Tako X!!!! - Você acha que ele pode estar tentando nos eliminar para ser o único a criar suas histórias? -(Éder indaga) - Faz sentido... foi ele quem fez aquele filme horrível a meu respeito... -(O Gralha pensa, com a mão no queixo.)- ...seria lógico que ele quisesse os direitos só para si. - O que faremos? - Eu fico aqui esperando o assassino. Você vai até a casa do Tako X! Temos que impedí-lo! - Tá legal!!! -(Antônio Éder sai em disparada. O Gralha se senta no sofá. E espera... e espera... e espera... até que...) -Tem alguém entrando pela janela.- (A sombra do vulto que vem do outro aposento vai ficando menor... ele vem se aproximando, revelando-se...) - O Craniano!!! -(Com uma tesoura pontiaguda na mão) - Gralha!!! Não, ainda é cedo demais para nos encontrarmos! - Não, Craniano... já é tarde!!! Você matou demais!!! Achou mesmo que ia conseguir? -(O Gralha se levanta) - Eu tinha esperança que o Homem-Lambrequim tivesse sucesso. Entretanto, quando você o deteve, não tive opção a não ser sujar minhas mãos. - Não se incomode, você vai poder limpá-las nas cadeia!!!! -(O Gralha salta sobre seu oponente, que apenas lança a tesoura em sua direção.) - Argh!!!! -(O herói é atingido no ombro, caindo no chão. O Craniano volta por onde veio e salta pela janela, onde sua moto flutuante o esperava. Dentro do apartamento, o Gralha tenta se recuperar...) - Ungh... maldito... não vai conseguir... (Em outra parte, Tako X abre a porta de sua casa:) - Oi, Antônio! Mas que surpr... - Seu desgraçado!!! O que você pensa que está fazendo??? -(Éder já entra agarrando Tako X pelo pescoço.) - E-ei, o que você cheirou, cara??? - Eu sei, está me ouvindo??? Sei de tudo!!! - Que bom pra você!! Que tal me explicar, então? Mas os dois amigos ouvem uma risada maquiavélica se aproximando... - Hah, hah, hah, hah, hah, hah, hah!!!! - O Craniano!!! -(Dizem os dois ao mesmo tempo, ao verem o vilão chegar com sua moto flutuante.) - Que bom que ambos estão aqui! Assim, posso acabar com os dois de uma só vez!!! - Antônio, será que essa não é uma boa hora pra você largar o meu pescoço? - (Tako X) - Por quê? Foi você quem escreveu isso tudo! - Você tá louco? (O Craniano desce da moto. E vem se aproximando... e chegando perto... e mais perto... até...) GGRÁÁÁÁÁÁÁÁÁHHHHHHHH!!! - É o Grito do Gralha!!!! Vamos sair daqui!!! -(Tako X diz, os dois saem correndo) (Craniano não tem tempo de correr. A casa desaba sobre ele.) - Putz... não era bem isso que... eu esperava... -(O Gralha diz, vendo a casa desabar) - Minha casa... o que você fez? -(Tako X, indignado) - Você está louco, Gustavo? - (Éder)- Por que você acha que a gente nunca usa seu grito sonoro nas histórias? - É, agora eu entendi... mas pelo menos, o Craniano já era. - Quer dizer que ele pretendia matar o Gralha matando a equipe dele? -(Tako X) - É. E graças ao Gralha, só sobramos nós dois. -(Antônio.) - Mas isso não faz sentido. Se não fui eu e não foi você quem escreveu esta história, então quem foi? -(Tako X.) - Acho que isso, nós nunca vamos saber... -(O Gralha diz, enquanto os três vão indo embora.) (E no último quadrinho, Leonardo Melo está dando sua gargalhada maquiavélica...) FIM (o que é uma FANFIC??? -- É uma historia de fã (ou não muito) sobre um personagem, de maneira bem livre, despretenciosa, feita de maneira rápida, para se divertir e divertir aos outros) posted by EDUARDO MOREIRA 11:54 AM Respostas para Matéria para Revista Herói - Por Pablo Miyazawa Rocha Tako X e Edu Moreira respondem: 1. De onde surgiu a idéia de fazer um filme do Gralha? De onde veio a motivação para encarar a produção? TAKO X : Aconteceu quando eu mostrei o livro do Gralha pra diretora de cinema Tizuka Yamasaki, durante uma aula do curso de extensão universitária, do qual participei. Ela gostou tanto do personagem que resolveu homenageá-lo, colocando um menino vestido de Gralha no curta metragem "Deu na Cabeça" que realizou juntamente com os alunos do curso. Então olhei para o menino vestido de Gralha e pensei: será que não seria possível fazer um filme de super-herói live-action com o Gralha? Então levei a idéia para a Tizuka, que a princípio descartou a possibilidade, alegando que os custos de um filme desse gênero eram muito altos e sugeriu que produzíssemos um desenho animado dele. Mas nessa época eu já havia assistido o filme "Corpo Fechado" de M. Night Shyamalan, que é uma fabulosa história sobre super-heróis sem o uso de efeitos especiais, e achei que poderia seguir o exemplo. Comecei a imaginar como seria se o Gralha realmente existisse em Curitiba e andasse pelas ruas fantasiado. Como seria a reação das pessoas? Poderíamos filmar essa reação com pessoas reais, não atores, pessoas comuns, com a câmera escondida, como se fosse um documentário. Só com essa idéia já teria valido a pena fazer um filme. Então, resolvi acrescentar uma trama envolvendo o seu arqui-inimigo, o Craniano, e criar um Gralha numa versão especialmente concebida para as telas, numa Curitiba atual, sem ser futurista, como nas HQs. Tentei imaginar: como seria a vida de um adolescente comum que um dia descobrisse seus poderes e resolvesse sair por aí vestido de Gralha, alegando ser um super herói de verdade? E que saísse pelas ruas atrás de um inimigo que ninguém conhecesse? Esse foi o ponto de partida para a criação do roteiro de um filme "possível" de um super herói mascarado.. Para mostrar à equipe como seria o filme, fiz um "story board" bem detalhado de todo o roteiro. Todos gostaram e fizeram algumas sugestões para melhorar a história, e fomos à luta. Queríamos provar que era possível produzir o filme, mesmo sem muita grana. 2. Quanto tempo durou as filmagens? Gastou-se muito dinheiro? Qual foi a maior dificuldade nesse período? TAKO X : A filmagem demorou 4 dias, mas tivemos que fazer uma tomada ou outra que faltou, em outros dias. A equipe toda trabalhou de maneira muito profissional, aliás, todos os membros da recém-formada produtora Photon Filmes foram excepcionais, muito competentes em todas as áreas, desde a produção até o figurino. Gostaria de poder citar o nome de todos, mas se fosse destacar alguém, seria o incrível trabalho de montagem de som do Bruno Hack, que conseguiu um resultado muito além de nossas expectativas iniciais, o som do filme é um show à parte. Nosso orçamento foi de aproximadamente de R$ 1500,00 usados para a compra de alguns elementos de cena e as fitas de vídeo Beta onde o filme seria gravado. Vendemos camisetas do filme e conseguimos algum apoio de pessoas e empresas que ajudaram a completar o que faltava. O resto foi conseguido através de parcerias. A maior dificuldade que enfrentamos foi o prazo muito pequeno: tínhamos que terminar o filme até a data da sua exibição marcada para o dia 3 de outubro de 2002 dentro da programação da comemoração dos vinte anos da Gibiteca de Curitiba, ou seja, dali 3 meses. Não tínhamos muito tempo para a pré-produção, para ensaios de atores e câmera, então tivemos que confiar totalmente nos "story boards" e numa decupagem detalhada (decupagem é o roteiro técnico das cenas, como o posicionamento da câmera, definição de planos, etc). 3. Edu, você não é ator profissional, certo? Mesmo com o uniforme de Gralha, foi difícil interpretar o personagem? Você se inspirou em algum ator ou herói, ou procurou agir naturalmente? O que o papel exigia mais: interpretação ou "caricatura"? EDU : Não, não sou ator profissional. Mas, assim mesmo, sempre fui um aficcionado por cinema e procurava estudar as técnicas de interpretação dos meus atores preferidos, como o Tobey Maguire, em Homem-Aranha, Tom Cruise, Leonardo Dicaprio, etc. Quanto a "interpretar" o personagem, eu não via dessa maneira, eu achava que deveria "ser" o personagem e não apenas fazer de conta que era o Gralha. Antes das filmagens, andei com o uniforme pelas ruas, fui em uma festa a fantasia, pra entrar no clima e me acostumar com a idéia de que era mesmo o Gralha. Até mesmo no trabalho, eu ia vestido de Gralha (lá eles não estranhavam muito, pois todos já me conheciam bem, e a maioria também fazia quadrinhos e conhecia o Gralha) . Inclusive no dia de apresentação do personagem, apareci de repente para a equipe da produção, numa pizzaria, vestido de Gralha e causando o maior tumulto... "mas quem é esse cara aí?"... o papel do Gralha não exigia, na verdade, nem interpretação nem caricatura, mas apenas que fosse natural... um cara comum, até mesmo ingênuo, como é o verdadeiro herói o Gralha das histórias em quadrinhos... das quais eu também participo como co-roteirista e desenhista, em várias hqs. Quanto ao físico do Gralha, no início (em 1997), os desenhistas o imaginavam como um herói anabolizado, já que era quase uma sátira aos heróis norte-americanos; mas com o tempo alguns artistas foram mudando esta figura para algo mais condizente à nossa realidade brasileira, o que seria de mais fácil aceitação e identificação para o grande público... isso está bem claro no álbum "O Gralha, Primeiras aventuras" da Editora Via Lettera, na capa e nas primeiras páginas um herói fortão, e nas duas últimas hqs quase que um moleque raquítico... afinal, se você tem super poderes, que vem de uma forma externa como as "Gemas do poder" do Gralha, voa e tudo o mais, porque haveria de ter um físico tão avantajado? Bom, e depois que os desenhistas me viram vestido de Gralha correndo pela cidade... confira no próximo álbum o resultado... 4. Tako X:, sobre o roteiro: a história é inédita? Foi fácil transformar o roteiro em storyboards, daí em cenas propriamente ditas? TAKO X : A história foi feita especialmente para o filme e não foi baseada em nenhuma história já existente. Aquela coisa, a versão do filme não precisa seguir fielmente a concepção dos quadrinhos, pode ter uma versão própria, "de cinema". Então os personagens podem ser ligeiramente diferentes de como são nos quadrinhos. O Craniano dos quadrinhos, por exemplo, está mais para um anão e não possui "super-força", como no filme. O roteiro e o storyboard foram feitos simultaneamente, mas o meu background de desenhista de quadrinhos certamente facilitou a visualização das cenas. Para a decupagem do filme, a contribuição da assistente de direção Patrícia Medeiros foi muito importante, transformando meu roteiro e story board em algo compreensível por todos os departamentos técnicos da produção. 5. Já é famosa a história de que a mãe do Edu costurou a roupa do Gralha. Houve outros tipos de colaborações desse gênero? O clima de "juntos, venceremos" imperou? TAKO X : Conseguimos alimentação gratuita para a equipe de um restaurante, conseguimos a finalização, animação em 3D da abertura e 2D dos créditos finais através de parcerias, todas as bandas cederam as músicas para o filme. O quarto do Gralha, a sala da cerimônia do ovo com o Craniano foram dependências da casa de um dos integrantes da equipe de produção, utilizando, inclusive, objetos da própria casa como elementos de cena. Os únicos objetos que tivemos que comprar foram as velas. E o resto, tudo o que se vê no filme são objetos que já haviam na casa. EDU : Minha mãe já tinha feito uma roupa do Gralha para uma festa a fantasia um ano antes... eu a desenhei e ajudei a minha mãe achar as linhas de corte. A primeira roupa do gralha era mais simples... mesmo assim ganhou o segundo lugar na festa a fantasia... (o primeiro lugar foi para uma garota linda de "Penelope Charmosa" maravilhosa, que até eu votaria nela). Na segunda roupa, nós compramos o mesmo tipo de tecido, a Rosangela fez uma máscara mais apropriada, e eu e minha mãe, a Maria, levamos mais tempo na confecção (duas semanas), fizemos até a luva do mesmo tecido... foi divertido. 6. E como foi filmar na rua vestido de Gralha? Você já deve ter se acostumado a vestir o uniforme em lugares públicos, mas e na época? Era complicado fazer as cenas em ruas movimentadas, com muita gente olhando? EDU : Em Curitiba nada parece ser muito estranho, é como se tudo fosse normal para as pessoas (numa cidade onde tem até um cara que anda de sunga numa bicicleta o dia todo, até no inverno), muitas das peças do festival de teatro de Curitiba são encenadas na própria rua, para o povo daqui o Gralha era apenas mais um cara andando na rua, tão normal quanto o policial ou o palhaço ¿Sombra¿ do calçadão da Rua XV, engraçado foram as piadinhas que eu ouvia o tempo todo, "Olha, é o Codorna Humano", "Super Pinto", "Puxa esqueci a minha espingarda hoje, olha só o tamanho deste passarinho", "Voa passarinho, voa", "Qué pinhão, gralha?", mas a mais engraçada foi um menino de uns quatro anos que na sua ingenuidade olhou pra mãe e falou, apontando para a cabeça do Craniano e para o Gralha... "Mãe, foi este aqui que botou aquele ovo?". Nas ruas muito movimentadas e na feirinha do Largo da Ordem, foi difícil fazer as cenas de perseguição, por mais que a equipe de produção fizesse as marcações e colocassem os dublês nos pontos certos, cada vez que a gente começava a filmar alguém estava fora do lugar ou entrava uma pessoa na frente... então o jeito foi improvisar... o ator Tarcisio Jr. que fez o Craniano ia na frente gritando: " Sai da frente, sai da frente, sai da frente..." e eu ia correndo atrás, junto com toda a equipe de filmagem... e na volta ele falava: "desculpa aí, valeu, desculpa... " 7. Sobre as filmagens: Qual tipo de equipamento vocês tinham à disposição? Foi filmado em qual sistema? E a edição, como rolou? TAKO X : Uma câmera vídeo beta profissional que era do próprio cinegrafista, o André de Paula, um excelente profissional, que também foi o diretor de fotografia e já trabalhou inclusive com o Walter Avancini, na Rede Manchete. A imagem foi transformada em arquivo digital (que dava uns 20 gigas de tamanho) e editado no Adobe Premiere. Foram dois meses para a montagem, tínhamos que aproveitar os horários disponíveis do estúdio. A edição final ficou pronta meia hora antes da primeira apresentação do filme na Cinemateca de Curitiba. A edição definitiva mesmo só ficou pronta no último dia, uma semana depois, já que fazíamos pequenas alterações diariamente na montagem, à medida que analisávamos a reação da audiência. Como, por exemplo, aumentar a altura do som dos socos na cena de luta, pra dar maior realismo e impacto. 8. A trilha sonora é um dos destaques do filme, na minha opinião. Ouvi dizer que vocês só correram atrás das bandas curitibanas depois que o filme já estava pronto. É verdade? Como funcionou a seleção? Não existe a idéia de lançar a trilha em cd independente? TAKO X : É verdade, mas estávamos com um produtor musical muito competente, o Manoel Neto, que já conhecia todas essas bandas e estava garantindo que uma boa parte das bandas iria topar. Qualquer coisa poderíamos trocar as músicas se tivéssemos alguma recusa, mas, por sorte, todas as bandas concordaram. O rap do Gralha que aparece no final já existia muito antes, e foi criada por uma banda que lia os quadrinhos e já gostava do personagem. A seleção inicial foi feita pelo produtor musical, que escolheu 3 opções de música para cada sequência, depois ouvimos todas e escolhemos as que melhor se encaixavam para cada cena. Pretendemos lançar a trilha juntamente com o DVD do filme, e mais um gibi, num pacote que deve ir para as bancas ainda este ano. 9. Depois do filme pronto, como vocês batalharam a divulgação? Onde exibiram, e onde poderiam e não conseguiram? TAKO X : Entramos em contato com os organizadores de eventos de quadrinhos pelo Brasil e conseguimos a exibição em BH, Florianópolis, no Animencontro de Curitiba e em SP no HQMIX, onde o Gralha em pessoa foi receber o Prêmio de Melhor Álbum de Ficção e Aventura de 2001, das mãos do Serginho Groissman. A reação do público em todos esses lugares foi fantástica, com muitos aplausos em todas as exibições. Mandamos uma cópia para alguns festivais "sérios" de cinema e vídeo, mas não conseguimos nem sequer exibi-los ainda em nenhum deles, talvez devido ao preconceito que existe contra o gênero de super heróis, de um modo geral. De qualquer modo estamos mandando cópias para todos os festivais de cinema e vídeo do país. EDU : Na divulgação do filme em alguns lugares eu fui como o Gralha, como no HQMIX e no Animencontro. O fato curioso destas aparições do Gralha é que ele é realmente recebido como um herói, talvez pelo fato de, além de ser um herói dos quadrinhos encarnado, ali na frente deles, é também a realização de um sonho de muitos que gostariam de ver: um super-herói brasileiro nas telas, encarando de frente o desafio, bancando uma produção cinematográfica corajosa com parcos recursos (e olha que tem que ter muita coragem pra fazer isso)... 10. Vocês tiveram patrocínios, apoios culturais, do governo, grandes empresas.... ou a maior parte do apoio foi de amigos e parceiros? TAKO X : A maior parte de amigos e parceiros, nem tentamos apoios culturais, porque, normalmente, grandes empresas exigem um projeto de lei de incentivo aprovado pelo Governo e nós não dispúnhamos de tempo. 11. Como vai funcionar o lançamento em vídeo ou DVD? Já há esquemas de distribuição? A resposta tem sido positiva fora de Curitiba? TAKO X : Estamos em negociação com uma grande editora de São Paulo e acho que em breve poderemos colocá-lo nas bancas num pacotão DVD+Gibi+CD. Todo o material já está pronto, esperando aprovação. Quem sabe quando esta matéria for publicada, o filme do Gralha já não esteja nas bancas? 12. Depois do Gralha, o que vocês dois estão planejando? Uma continuação? Ou alguma coisa com um herói inédito? TAKO X : Você quer dizer a equipe do Gralha. São 8 criadores do personagem e vários colaboradores. Sem falar na Photon Filmes que produziu o filme, outro grupo do qual faço parte. A Photon Filmes está produzindo um filme mais romântico com outro roteirista e diretor, o Guilherme Greca. Dessa vez eu irei ajudar no departamento de arte desse filme. Também estou escrevendo um roteiro de faroeste country para outro amigo diretor, a ser gravado ainda este ano. Vamos ver como vai ficar. Deveremos trabalhar com um projeto de um segundo filme do Gralha somente para 2004, se conseguirmos algum retorno financeiro com esse 1º filme do Gralha. 13. Será que, com o álbum, o filme e o dvd, o Gralha deverá sair do gueto dos fãs de quadrinhos - ou seu destino é ser um herói regional mesmo? TAKO X : No momento em que fizemos o filme, já estávamos esperando alcançar um público mais vasto. Nas exibições do filme pudemos perceber que até mesmo quem não conhecia o personagem ou não era leitor de quadrinhos também pareceu gostar do nosso filme. Para mim, isso é uma prova de que é possível produzir algo que agrade diversos tipos de público, e não somente os fãs de quadrinhos. Quanto à questão do regionalismo, o Homem Aranha mora em Nova Iorque, e suas histórias acontecem lá, e no entanto, é considerado um personagem universal. Não é preciso conhecer a cidade, nem ser norte-americano para se identificar com ele. Queremos usar elementos da cultura local paranaense apenas como um cenário para as histórias, seja em quadrinhos ou em filme. E esperar que o que fazemos tenha apelo universal, apesar de usarmos referências locais. A propósito, o novo ábum do Gralha pela Via Lettera, também está para sair este ano com o título "Tão Banal Quanto Original" , com histórias inéditas feitas especialmente para o álbum e editadas pelo José Aguiar (outro criador do Gralha) e pelo Jotapê Martins. 14. Vocês acham que o cinema brasileiro tem "competência" para fazer cinema de entretenimento jovem - filmes de ação, heróis, comédias adolescentes - ou sempre estaremos limitados a filmes regionais ou de época? Por que é tão complicado produzir ficção de qualidade no Brasil, na opinião de vocês? TAKO X : Uma das propostas deste filme era justamente tentar demonstrar que mesmo com um pequeno orçamento é possível produzir filmes interessantes, contanto que o roteiro seja bem trabalhado. Muitas vezes belas imagens apenas tentam disfarçar um roteiro capenga e sem ritmo. Mas como normalmente os jovens associam belas imagens com bons filmes "imagem é tudo" é preciso produzir bons roteiros e, também, imagens com boa qualidade técnica. O que nós esquecemos é que nos EUA, para cada grande sucesso comercial, existem centenas de produções que não alcançaram todo esse sucesso e não são tão bons assim. Mas são justamente essa enxurrada de produções que possibilitam a profissionalização e a manutenção de uma indústria de cinema por lá. O problema é que aqui no Brasil vemos apenas os filmes que já foram pré-selecionados pelo gosto norte americano, os filmes que já fizeram sucesso nas telas de lá, e acabam influenciando nosso gosto também. O que talvez falte no Brasil é a produção de mais filmes comerciais (para o grande público), a preços módicos, e uma forma adequada de exibição e distribuição desses filmes de forma alternativa, fora do esquema das grandes distribuidoras internacionais, que, hoje, detém o monopólio da distribuição de filmes no país. posted by EDUARDO MOREIRA 11:53 AM Sexta-feira, Junho 06, 2003 Press-release do filme "O Ovo ou a Galinha" do Gralha Breve Currículo e Relato do Diretor, dos atores e do Grupo Photon Filmes: Edson Tako X - Cartunista e ilustrador, nascido em Curitiba. Colaborador de várias publicações, entre elas da revista MAD, como caricaturista e capista. Morou cinco anos no Japão, em Tóquio, onde trabalhou como ilustrador comercial. Atualmente dirige um estúdio de ilustração em Curitiba. É um dos criadores do personagem Gralha. Sua ligação com o cinema começou quando participou do curso de Extensão Universitária realizado na Faculdade de Artes do Paraná, com a coordenação de Tizuka Yamasaki. Criou o roteiro inicial do curta "Deu na Cabeça", trabalho de formatura do referido curso. "O Ovo e a Galinha" é o seu primeiro filme como diretor. Edu Jr. Moreira - Cartunista e ilustrador, faz parte da equipe criativa das aventuras em quadrinhos do Gralha. Atualmente dirige um estúdio de ilustração e animação em Curitiba, responsável pelo desenho animado de abertura do filme. O papel de Gralha em O Ovo e a Galinha foi seu primeiro trabalho como ator. Tarcísio Jr. - Mineiro de Barbacena, faz teatro desde 97, participou do Grupo Gruta de Teatro, participou do Curso Novelas Curitibanas, na peça Ubu Rei, figurante do filme Oriundi além de atuações em várias peças. Um dos fundadores do Grupo de Teatro Interpretação da UNICEMP. Faz faculdade de Jornalismo e Artes Cênicas. O papel de Craniano em O Ovo e a Galinha foi seu primeiro trabalho como protagonista de um filme. Samir El Hajjar - Curitibano, advogado, curador de exposições internacionais e assessor jurídico de projetos culturais e de marketing promocional, como ator, participou do filme "Deu na Cabeça" de Tizuka Yamasaki. Grupo Photon Filmes - Esse grupo surgiu a partir de um curso de Extensão Universitária realizada na Faculdade de Artes do Paraná em 2001, com duração de um ano, e a coordenação da consagrada diretora brasileira Tizuka Yamasaki. São mais de vinte pessoas que participaram daquele curso e especializaram-se nas diversas áreas ligadas ao cinema: roteiro, produção, direção, filmagem e edição de um filme. O trabalho de formatura desse grupo foi a realização de um curta metragem intitulado "Deu na Cabeça". As propostas do Filme, do grupo e ou do diretor: A proposta deste filme de curta metragem é levar para as telas do cinema uma aventura de um dos primeiros super-heróis paranaenses das histórias em quadrinhos: o Gralha. O filme pretende ser também um painel do cenário musical jovem de Curitiba, incorporando em sua trilha sonora alguns dos mais representativos grupos de rock da capital (Os Catalépticos, Zeitgeist Co., Beijo AA Força, Julian Barg, Sexofone, Primal, Beat Dada, Comunidade Racional, LIFO, Black Out, Pogoboll e Tokkotai). A intenção também é levar ao público de outros estados um pouco da paisagem local (com seus cenários característicos) e da cultura tradicional de Curitiba, através da menção à cultura ucraniana, uma das maiores do Paraná, representada no filme pelo ovo "pêssanka", símbolo de renovação e de vitalidade daquele povo. A proposta do diretor Tako X, também um dos cartunistas que criaram o Gralha, em sua primeira incursão como diretor pelo cinema é desenvolver um trabalho de baixo orçamento com um mínimo de qualidade técnica e profissional, calcado principalmente na força de um roteiro bem amarrado e imagens inspiradas nas histórias em quadrinhos e na linguagem dos videoclipes. Outra proposta foi colocar os personagens interagindo diretamente com o povo curitibano nas ruas e praças da cidade e atuando dentro dos cenários típicos da paisagem local. Procurou também reforçar a naturalidade com um trabalho de pesquisa, utilizando cenários e locais reais, já existentes, da capital paranaense. O grande objetivo do Grupo Photon Filmes é a profissionalização da sua atividade cinematográfica, com a produção de filmes para exibição ao grande público em mostras especiais e festivais de filmes pelo Brasil e pelo mundo, procurando desenvolver uma identidade curitibana e paranaense em seus trabalhos e levando ao público o conhecimento dessa cultura local. Um Histórico ou resumo da história do Gralha (personagem): Criado em 1997, por oito cartunistas curitibanos, o Gralha é um jovem estudante que descobre que seu destino é lutar contra o mal, encarnado neste filme pelo seu arqui-inimigo, o Craniano. Sua primeira aparição aconteceu na revista Metal Pesado (prêmio HQMIx de Melhor Revista Mix de 1997), em seguida passou a ser publicado semanalmente pela Gazeta do Povo (de 1998 a 1999) e atualmente é editado pela Via Lettera de SP (prêmio HQMIx de Melhor Álbum de Ficção de 2001). Mesmo nunca tendo se preparado para lutar contra o mal, o jovem Gustavo Gomes, o alter-ego do herói, conta com alguns superpoderes para suplantar a sua frágil aparência física: o grito supersônico, a super força e o poder de vôo. Neste filme, o Gralha parte em busca do Craniano, quem ele desconfia estar tramando algo grandioso e maléfico. Na verdade o vilão está à procura do lendário Ovo Místico, que poderá lhe dar poderes sobre-humanos e assim dominar a espécie humana, seu grande objetivo final. Gênero do filme: O filme pretende ser um drama bem-humorado, mostrando a eterna luta entre o bem e o mal, caracterizada pelo combate entre o Gralha versus o Craniano, nas ruas de uma Curitiba moderna. A pré-produção aconteceu durante as três primeiras semanas de julho. O filme foi gravado em Beta em quatro dias (27, 28, 29 e 30 de julho de 2002). Tempo do filme: 20 minutos Custos de produção: o filme possui dois orçamentos (somente para pré-produção e filmagem): - o justo (em torno de 50 mil reais) - se todas as pessoas envolvidas tivessem sido remuneradas, assim como os equipamentos particulares e locações tivessem sido pagos. - o real (de R$ 1.500,00) - que é aquele mínimo básico de materiais sem as quais não seria possível nem mesmo gravar o filme, como as fitas Beta, combustível, alimentação, figurino, maquiagem e alguns objetos de cena. E este último valor foi levantado graças ao apoio de algumas empresas que ainda acreditam no valor do trabalho artístico e um outro tanto dos nossos próprios bolsos. A finalização foi cedida pelo Claudio Tafarello e o material de divulgação foi patrocinado pelas Livrarias Curitiba. Este filme não foi realizado através de Lei de Incentivo a Cultura devido ao pouco tempo disponível para sua realização (o roteiro foi iniciado somente em junho), já que o objetivo era terminá-lo em setembro, dentro das festividades dos vinte anos da Gibiteca de Curitiba. posted by EDUARDO MOREIRA 4:14 PM ORIGEM DO HERÓI O GRALHA José Aguiar Você deve estar se perguntando: "Quem diabos é esse Gralha?" Além disso: "Gralha não é aquele passarinho que come pinhão, ou melhor, enterra para comer e depois esquece ?" Como você deve estar cansado de saber, os quadrinhos começaram a se tornar um fenômeno cultural graças aos jornais, que desde o início do século, abriram espaço às HQ's. Houve tempo em que haviam suplementos inteiros dedicados às tiras. Hoje os jornais já não dão tanta importância ( nem espaço ) aos quadrinhos como antigamente, mas mesmo assim, muita coisa boa tem surgido neles. Há muitos artistas que sabem usar como ninguém o apertado espaço hoje dedicado às tiras de quadrinhos. Ou seja, os jornais ainda são um bom refúgio. E não só para o humor... E foi nessa lacuna que esse tal de Gralha se aninhou. Ele surgiu em outubro de 1997, numa edição especial (comemorando os 15 anos da Gibiteca de Curitiba ) da extinta revista Metal Pesado. Para realizá-la, foram convocados vários quadrinhistas locais, dos quais um grupo decidiu fazer de um projeto comum uma homenagem a um ícone desconhecido dos quadrinhos curitibanos, o Capitão Gralha. Publicado no início dos anos quarenta pelo também desconhecido (e quase lendário até) Francisco Iwerten. Fugitivo de um planeta de homens-pássaros, regido pelo terrível Thagos, o usurpador, o Capitão Gralha encontrou refúgio na Terra, onde utilizava seus poderes alienígenas no combate ao crime no Paraná. Misto de Flash Gordon com Super-Homem, ele teve vida breve. Foram publicados apenas dois números de suas aventuras, mergulhando esse trabalho pioneiro no mesmo abismo que tantos outros precursores das HQs nacionais. Infelizmente, ninguém sabe se existe ainda algum exemplar de suas revistas. Foi unânime que um homem alado, com um "G" no peito e bigodinho não seria muito bem visto hoje em dia. Optou-se então por criar uma versão atualizada do datado Capitão. Alessandro Dutra criou o visual, Gian Danton e José Aguiar criaram a história, Antonio Eder, Luciano Lagares, Tako X, Edson Kohatsu, Augusto Freitas, Dutra e Aguiar se encarregaram da arte e Nilson Miller fez a capa da edição. E assim o Gralha fez sua estréia. Um ano depois o personagem ganhava sua página semanal no caderno Fun da Gazeta do Povo, agora como um adolescente que descende do Capitão Gralha original. Um herói iniciante em uma metrópole um pouco diferente da Curitiba de hoje . Talvez, a única cidade do país, onde um super-herói se enquadraria sem parecer (muito) deslocado. Afinal, ela mesma faz questão de, provincianamente, vender sua imagem como "cidade de primeiro mundo". E nada mais isso que um vigilante de colante. Por sinal, a Curitiba do Gralha é um personagem à parte em seu universo, onde todas as características da verdadeira são elevadas à enésima potência. Localizada num futuro indeterminado, nela convivem arranha-céus gigantescos e muitas, muitas árvores. Essa Curitiba parece crescer ordenada e infinitamente, chegando até mesmo ao Atlântico. Na verdade, ela é o paraíso de todo super-herói. Nela todos os lugares-comuns do gênero "herói encapuzado" existem. Mas nem tudo é um paraíso como pode parecer. O crime ainda resiste, ainda mais numa cidade de proporções tão modestas. E os super-vilões estão à solta. Araucária, Café Expresso, Biscuí do Mato, Pivete Cybertécnico, Homem Lambrequim, Doutor Botânico, Polaquinha e Bagre Humano são alguns dos extravagantes que são enviados à ilha-prisão do A.H.U. pelo Gralha. Isso quando o misterioso supergênio conhecido como O Craniano, cuja cabeça gigantesca é tatuada como uma pêssanka (aqueles ovos pintados pelos ucranianos na Páscoa) não está tramando alguma artimanha. Definitivamente, todos os elementos "clássicos", e porque não, "clichês" dos quadrinhos de heróis estão presentes nas HQs do Gralha. Sim, você vai encontrar cientistas loucos, mutantes e vilãs boazudas no universo do Gralha, mas não como está acostumado a ver. A começar ele é um homem fantasiado como um tolo e inofensivo passarinho. Quer coisa mais ecológica, e por que não ufanista, do que ser uma Gralha? Alguns de seus autores gostam de super-heróis outros abertamente os detestam. Uns o desenham cartunizado, alguns realisticamente ou até mesmo abstrato... E ainda assim, ele é um só. Mas convenhamos, a graça de criar esse passarinho está em, simplesmente, fazer algo que de tão comum, acaba sendo único. Então divirta-se lendo o que o Gralha já foi e tente imaginar o que o tempo reserva para o nosso singular "Vigilante das Araucárias". ------------------------------------------------------------------------------------ OS PODERES DO GRALHA 1- Vôo - O mais elementar dos poderes para alguém com o nome de um passarinho!Sua velocidade máxima seria cerca de 300 Km/h. O que pode variar em situações limites. Como não é invulnerável, voar a velocidades maiores seria prejudicial à sua saúde. 2- Superforça - seria o equivalente a suspender 10 toneladas de peso do solo. Algo como levantar um fusca. Nunca arremesaria um caminhão por exemplo. Mesmo assim, ai dele se o fusca cair sobre seu pé. 3- Mas além do indispensável, ele possui algumas outras "qualidades" que o tornam singular ( não que ele faça bom uso delas sempre). São os seus "Poderes sonoros" : a - Pode encontrar a frequência de ressonância de até mesmo uma estrutura atômica, destruindo assim um objeto específico. É uma capacidade que ele não domina plenamente, apelidada vulgarmente de "Grito do Gralha". Na verdade ele não "domina plenamente" nenhuma de suas outras capacidades b - Ventriloquismo - como tem relativo controle do som, pode facilmente criar vozes e projetá-las onde bem quiser. É um dom ridículo. E ele sabe disso. Talvez por isso o use tão pouco. c - Superaudição- de alcance não muito grande, algo em torno de até cerca de 30 metros ao ar livre. Mas quem se importa com isso? d - Poder de sugestão - pode gerar certas frequências sonoras que alteram a percepção que o cérebro humano tem da realidade. Não tem controle sobre o que as pessoas vêem quando estão nesse estado "hipnótico". O resultado pode variar de um indivíduo para outro. Ou seja, é bom que ele não o use, senão pode acabar piorando as coisas... 4- Resistência e sentidos ampliados - Nada de sobrehumano. Sua visão seria aguçada e seu corpo mais resistente a grandes esforços físicos. Enfim, infelizmente seu intelecto não goza dos mesmos privilégios. As Gemas do Poder: Talvez você já deva ter se perguntado: " o que são aquelas bolas na cabeça do Gralha "? Olho de passarinho? Podem até parecer, mas são na verdade a fonte de seus poderes. Só existem duas e sua origem até o momento é desconhecida. Funcionam exclusivamente em Gustavo Gomes, ativando suas capacidades latentes. Para que isso ocorra é necessário que ele as toque com sua pele. Se tocar em apenas uma, seus poderes seriam parciais e mais difíceis de controlar. O Gralha ainda não conhece a real extensão de suas capacidades, nem tem total controle sobre as que já conhece, ficando na tentetiva e erro. Adivinhe o que mais acontece? -------------------------------------------------------------------------------------- A CIDADE DO GRALHA, CURITIBA A Curitiba do Gralha é um personagem à parte em seu universo, onde todas as características da verdadeira são elevadas à enésima potência. Ou seja, ela é provinciana como a verdadeira, mas é grande como as megalópoles de qualquer hq "futureba" que se preze. Localizada num futuro indeterminado, ela cresceu tanto a ponto de englobar os municípios adjacentes como bairros seus. Enfim, ela ainda é a capital do Paraná (na verdade, agora ela é o próprio), e um orgulho para o seu país. Ou quer que pensemos assim... E como o ufanismo anda em alta nessa época "não muito distante" (como reza a cartilha de todo bom clichê de herói), a arquitetura curitibana exprime todo o orgulho que essa gente tem de sua terra. Convivendo com um mar de arranha-céus gigantescos estão pinheiros e muitas, muitas árvores. Muitas dessas plantadas até mesmo no topo dos edifícios, formando verdadeiros jardins suspensos. Uma paisagem surreal, onde convivem prédios arrojados, arquitetura antiga (lambrequins e coisas tipicamente curitibocas...) com muito, muito, muito verde. O que demonstra que, ainda no futuro, a cidade quer manter o título de capital ecológica, ficando clara a importância que as administrações sempre tiveram com a urbanização e o meio ambiente (pelo menos no centro da cidade). Contrastando assim com as cidades fictícias como a sombria Gotham City ou mesmo Metrópolis, que nada mais são do que um agolomerado de concreto sem vida. Curitiba respira. O problema é a chuva de pinhões maduros no inverno. A cidade parece crescer ordenada e infinitamente (transparecendo orgulhosa sua "vocação" para o progresso), chegando até mesmo ao Atlântico. Além disso ela (aparentemente) se preocupa com a qualidade de vida de seus habitantes. Sem falar na preocupação com o transporte, que é o mais moderno do país, com um sistema integrado onde é possível percorrer toda a cidade com uma única passagem e em tempo recorde. Os transportes públicos são feitos em metrôs de superfícies no formato de tubos, em alusão nostálgica às atuais estações que povoam a cidade. Há também inúmeras vias elevadas cortando a cidade em diversos níveis. Enfim, aparentemente é uma cidade mais que utópica. Imagem essa explorada pelos seus governantes, que atraem milhões de turistas e migrantes ingênuos todos os anos. Afinal, quem não gostaria de viver numa cidade tão bacana assim? DÊ UM TOUR PELAS MARAVILHAS DA CURITIBA DO GRALHA! EMBARQUE RUMO AOS PRINCIPAIS PONTOS TURÍSTICOS DA CIDADE: Primeira vez numa cidade grande do primeiro mundo ? Então não deixe de conhecer: - A Usina Nuclear - Que lixo nuclear, que nada! Conheça a única não poluente em todo o mundo , ecológicamente localizada em meio a última floresta de araucárias do mundo! Tecnologia 100% nacional! - O Deserto de Vila Velha - O antigo parque com ruínas de uma possível civilização antiga abre suas portas para você e sua família! Visite as escavações arqueológicas do único povo que jamis deixou vestígios!. - O Aeroporto Internacional Afonso Pena - Agora o maior de todo o planeta! Os melhores preços, os melhores planos de vôo e barreado servido à bordo! Tudo isso bem no coração do mundo futuro. Mas pensando bem, por que sair de Curitiba? - A Base Espacial - Recentemente inaugurada, é a nova sede do Projeto Espacial Brasileiro. Localizada junto ao aeroporto Afonso Pena, é outro marco da ousadia nacional. Cansado dos vôos espaciais americanos e russos? Experimente a emoção de viajar rumo ao espaço com quem fala a sua lingua! - O Porto de Paranaguá - Conheça o magnânimo porto que é a principal entrada e saída para o Atlântico de todo o continente! Monumental, é tudo que se pode dizer dele! - O Novo Presídio do A.H.Ú. - Localizado numa ilha isolada do resto da cidade, onde os criminosos são afastados de qualquer contato com a sociedade, seu nome é uma homenagem à antiga prisão que existiu no centro da Curitiba do séc. XX. Cercada por um maravilhoso (E QUILOMÉTRICO) lago, sua bucólica arquitetura inspirada nos castelos medievais é visita obrigatória a quem vem à cidade. ROTEIROS ALTERNATIVOS (POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO...) Se você está interessado em conhecer a curitiba que não está nos postais e quer conhecer a fundo (mas fundo mesmo) o povo curitibano visite os seguintes pontos. E nos conte como foi, se por acaso voltar um dia...Afianl, quem avisa amigo é! - Passeio Público - Área praticamente abandonada do velho centro de Curitiba. Mas a prefeitura planeja a revitalização desse grande centro de entretenimento do passado. Mas aconselhamos só passar em frente, por enquanto... - Boca Maldita - outra área decadente da velha cidade, assim como o Passeio, é reduto de criminosos e traficantes. Muitos turistas se sentem atraídos pelo fascínio que o crime exerce. E não voltam mais... O conselho do passeio vale também aqui. - Cinturão de Favelas - Cercando toda a extensão giagantesca da cidade, há um favelão onde residem os migrantes e os excluídos da utopia curitibana(pelo menos é o que prega a oposição). o governo nào admite, dizendo ser na verdade, outro mmunicípio (o qual não recorda o nome) que, infelizmente orbita a capital. ---------------------------------------------------------------------------------------------------- OS VILÕES DAS HISTÓRIAS DO GRALHA O Doutor Botânico Todo herói precisa de um cientista louco! E nada melhor que o clássico modelo de cabelos arrepiados e jaleco de professor! Antes de enveredar pelo crime, como todo vilão comum, era um renomado biólogo que descobriu como dar consciência às plantas e que, a princípio trabalhava para o governo. Quando em visita ao seu laboratório, no Jardim Botânico, um secretário da prefeitura foi atacado por uma de suas criações e , horrorizado com o trabalho do doutor, cortou-lhe as verbas. Desamparado e desesperado, ele se valeu de suas sementes especiais, para criar um exército de plantas humanóides para destruir a cidade em sua vingança pessoal. Mas foi preso pelo Gralha. Seu passado o liga com a vilã Araucária, mas isso fica para depois... O Bagre Humano Pouco se sabe a seu respeito, fora ter nascido em Paranaguá e que dizem ser sua mãe uma sereia. Graças a sua aparência pouco agradável e ao preconceito, é um eterno descontente. Ranzinza e introspectivo, seus crimes sempre estão ligados a alguma coisa que o incomoda e o leva a alguma medida extrema, que prejudica as demais pessoas. De quem , aliás não gosta muito. Foi preso pelo Gralha em várias ocasiões, sempre cumprindo penas leves. Atualmente está em liberdade. Até que é uma pessoa razoáve, desde que não o contrariem. A Araucária Uma ex-assistente do dr. Botânico, que teria sido usada como cobaia num experimento para a criação de um híbrido meio-animal, meio planta. Graças a isso ela trocou seu sangue por seiva, se tornando extremamente forte e capaz de alterar sua estatura de meros 1,60m para até o tamanho do mais alto pinheiro. Extremamente gananciosa, dizem as más lingua que ela já teve um caso com o Gralha. E por isso ele a prendeu. O Craniano Estranho homenzinho, com crânio macrocéfalo tatuado com estranhos caracteres que lembram uma pessanka e um supercérebro, capaz de superar até mesmo o gênio do Doutor Botânico. Extremamente calculista e incapaz de expressar emoção. Possui total desprezo pela humanidade, não ligando para dinheiro ou mesmo poder político. Seus objetivos dizem respeito apenas a si mesmo, não se importando com quem cruze seu caminho. Ninguém conhece seus verdadeiros objetivos e seu paradeiro ainda é ignorado. Dizem que atua ao lado de um certo "João- Ninguém" O Biscuí do Mato ë o único nome cabível nesse extravagente criminoso mudo. Maníaco extremamente perigoso e violento. Que se veste de maneira extravagante e aparentemente sem nenhum significado específico, assim como seu nome. Nada além disso sabe-se a seu respeito. Encontra-se preso na ala de criminosos insanos do A.H.Ú. O Pivete Cibernético Garoto de rua revoltado, porém inventivo e extremamente hábil com o skate. Possui grandes conhecimentos de mecânica para sua pouca idade, tanto que desenvolveu um skate turbinado voador. Especializado em pequenos furtos, com os quais se mantinha. Foi detido pelo Gralha e aguarda na ala de menores infratores do A.H.Ú. que seus pais sejam localizados. O Café Expresso Bizarro criminoso que possui uma cafeteira no lugar da cabeça. Antes considerado mais uma lenda urbana que servia café envenenado a vítimas aleatórias. Foi descoberto quando matou 54 pessoas de uma só vez, servindo-lhes café com estricnina. Teria enlouquecido após a trágica morte de sua esposa, de alguma forma ligada ao café. É ,na verdade um romântico homicida. Sua verdadeira identidade é um mistério. Especula-se que tenha sido um garçon na Boca Maldita. O Gralha impediu que causasse mais mortes. Hoje é prisioneiro na ala de criminosos insanos do A.H.Ú. E se recusa a tomar café que não seja feito por ele mesmo. O Palhaço da Agenda Um egocêntrico e exibicionista, obcecado pelo registro metódico de seus atos criminosos e pelo reconhecimento da posteridade. Graças às suas própios anotações foi capturado pelo Gralha. Não é um grande vilão, nem se veste muito bem. Tem uma letra horrível. Dr. Marrom Geneticista que criou várias aberrações genéticas a fim de assaltar bancos e financiar suas pesquisas. Foi preso pelo Gralha e após cumprir pena, mudou-se para a Ilha das Peças no litoral paranaense. Atualmente dedica-se à criação de novas variedades de jacas, maiores e mais saborosas. Também organiza a " Festa da Jaca ", muito popular na região. Homem- Lambrequim Ele era um lenhador recluso que, ao atingido por um raio que ricocheteou (?) num lambrequim, literalente perdeu a cabeça! Hoje, além de gostar de afiar seu machado em corpos humanos, gostaria de ter uma revanche com o Gralha. Criações e Criaturas A Polaquinha Adolescente que recebeu implantes nanotecnológicos do Craniano. Os quais alteraram seu corpo fraco, tornando-se extremamente forte e capaz de voar. Os mesmos implantes alteraram seu cérebro, tornando-a mais alegre e sem restrições morais, tornando-a extremamente extravagante. O Gralha a reverteu a seu estado normal. Para o bem do senso estético mundial! Scanner ou Dr. Darwin Outro adolescente alterado pela nanotecnologia do Craniano. Os efeitos nele foram semelhantes aos que experimentou a polaquinha, incluindo a capacidade de alterar seus membros para outras formas. Também voltou ao normal graças ao Gralha. Não que o seu normal seja grande coisa. Automatos Robôs de intelecto limitado, criados pelo Craniano para desempenhar funções específicas que exijam força bruta. Alguns podem até mesmo voar. Em geral possuem 3m de altura. O que pode variar de acordo com a função. São os únicos a acompanhar as atividades do Craniano. Não se sabe de onde ele consegue recursos para criá-los ou se, por ser tão isolado, recebe alguma ajuda para sua construção e manutenção. Homens-Planta Nascem a partir de sementes criadas pelo Dr. Botânico. Na verdade são plantas de forma humanóide, com percepção e intelecto limitados. São extremamente servis, sem falar em fortes e resistentes. Com qualquer planta, precisam de terra para germinar e de sol para realizar a fotossíntese. Aberrações Genéticas. Vários tipos e formatos, criados pelo Dr. Marrom a fim de auxiliá-lo em seus crimes. ---------------------------------------------------------------------------------------------- PERSONAGENS CO Milton Darwin Colega de classe e amigo de Gustavo Gomes. Foi transformado pelo Craniano no " Scanner " . Nerd e chato de galocha. Até o momento é o melhor amigo de Gustavo. Pelo menos enquanto ele não se encher desse mala. Gralhete Outra colega de Gustavo (Bete) que, acidentalmente descobriu sua identidade secreta e tentou se tornar parceira do Gralha, fim de se autopromover. Graças ao Fã-clube do Gralha, começou uma bem sucedida carreira de modelo. Ela ainda pode causar problemas por ser, até o momento a única a conhecer o segredo de Gustavo. Mas para o desespero do Gralha, além de linda, ela não tem a menor queda por ele. O Fã-Clube Sua formação é variável. Seu objetivo maior é faturar em cima do Gralha, ganhando muito dinheiro com o licenciamento de sua imagem. Atualmente estão associados com a Gralhete. Dizem as más linguas que seus rostos são na verdade as caricaturas dos autores dos quadrinhos do Gralha. Se encontrar alguém que se assemelhe a eles, não hesite: chame a polícia! João Ninguém Apelido de um estranho sempre imerso nas sombras. Ninguém sabe quem ele é ou que realmente faz. Já foi visto atuando com o Craniano. A única coisa que se sabe dele é que adora charutos. PERSONAGEM À PARTE NO UNIVERSO DO GRALHA: Homem Dor de Cabeça Se você acha os personagens do Gralha surreais, é porque você ainda não viu esse cara!l Um bizarro vilão em forma de nada que sofre de enxaqueca aguda e comete crimes infames. Personagem mudo utilizado para histórias em estilo cartum. posted by EDUARDO MOREIRA 3:58 PM SOBRE O GRALHA, E O FILME "O OVO OU A GALINHA, UMA AVENTURA DO GRALHA" por TAKO X Criado em 1997 por oito cartunistas curitibanos, o super-herói "Gralha" é o personagem de quadrinhos paranaense de maior sucesso até hoje. Livremente inspirado num antigo personagem chamado "Capitão Gralha" do lendário cartunista curitibano Francisco Iwerten, fez sua estréia nas páginas da revista Metal Pesado especial de 15 anos da Gibiteca de Curitiba. De lá pra cá, ganhou um espaço semanal no jornal Gazeta do Povo, onde foi publicado de 1998 a 1999. Em 2001 a Editora Via Lettera lança um álbum de coletâneas dessas HQs, intitulado "Primeiras Aventuras", que ganha o Prêmio HQ MIX de Melhor Álbum de Ficção de 2001. No ano seguinte surge o projeto mais inusitado e "ambicioso" ligado ao Gralha: o curta metragem "live-action" intitulado "O Ovo ou a Galinha", dirigido por um dos criadores do personagem, o Tako X, que conta como foi a experiência de produzir o filme. Tudo começou quando resolvi fazer o curso de extensão universitária em cinema com a premiada diretora Tizuka Yamasaki em 2001. Sempre tive um grande interesse por cinema (até maior que pelos quadrinhos, devo confessar), mas nunca a ponto de querer fazer carreira na área, pois o cinema me parecia uma coisa meio distante, inatingível, impossível até. Como forma de expressão de um artista, me parecia uma coisa tremendamente onerosa, em comparação com os quadrinhos, onde você, sozinho, com algum talento em desenho e narrativa, pode criar toda uma realidade visual em pouco tempo. Mas o fascínio pela magia do cinema nunca me abandonou por completo, e sempre acalentei o desejo de, um dia, poder realizar um filme e vê-lo projetado nas telas do cinema. No curso de cinema pude entrar em contato direto com profissionais de cinema com larga experiência e aprender todo o processo cinematográfico. O respeito que eu já tinha por quem trabalha com cinema só fez aumentar, pois são muito grandes as dificuldades para se trabalhar com cinema no Brasil. Mas pude comprovar aquilo que eu suspeitava há muito tempo: os quadrinhos tem uma relação muito estreita com a linguagem do cinema, tanto que hoje em dia os estúdios de Hollywwod utilizam muitos quadrinistas para seus "story-boards", que nada mais são que a "versão em quadrinhos" do filme. Ou seja, pode-se dizer que o filme sempre será baseado, primeiro, em quadrinhos. Alguns nomes conhecidos dos quadrinhos hoje em dia são desenhistas de "story-boards" como Neal Adamns, Moebius e Rodolfo Damaggio. Após o curso, uma parte dos alunos resolveu se juntar para formar um grupo de cinema, o embrião do que seria o Grupo Photon Filmes, e estavam à procura de um roteiro para filmar. Desenvolvi um roteiro inicial de uma aventura do Gralha e apresentei ao grupo, juntamente com um "storyboard" da história, em junho de 2001. Todos gostaram do roteiro e ficaram muito animados para levá-lo adiante. Só não tínhamos dinheiro para começarmos a produção e o objetivo era terminar o filme até Outubro (dali três meses), e exibirmos na Cinemateca de Curitiba, na última semana das festividades dos vinte anos da Gibiteca de Curitiba. O Roteiro O primeiro passo para a criação do roteiro foi definir o conceito básico da história, sobre o que seria o enredo básico do filme, no caso, a procura de um "ovo místico" pelo vilão, o Craniano. Depois, a definição da estrutura do roteiro e em seguida escrever um argumento geral de algumas páginas com a história. Finalmente, a roteirização propriamente dita e depois o "story-board". O grande desafio foi tentar manter-se fiel ao personagem e criar uma história interessante de super-herói sem precisar gastar nada com efeitos visuais, devido a nossa falta de recursos. O jeito foi apelar para um tom mais realista e o uso de truques de câmera nos lugares certos. O Gralha teria que mostrar seus superpoderes de alguma forma no filme: o seu "grito supersônico", a super-força e principalmente o seu poder de vôo, dentro de uma história interessante e divertida. O resultado final ficou a contento, e acabamos conseguindo colocar tudo lá, do jeito que foi previsto no roteiro. Não queria que o filme tivesse um tom cômico, já bastava ter que filmar a história de um sujeito encapuzado que corre pela cidade atrás de um cara todo pintado de preto, com uma cabeça do tamanho de uma melancia. Diferenças entre fazer quadrinhos e fazer cinema O trabalho de um quadrinista é solitário, é praticamente só você, suas idéias, seus materiais e o papel à sua frente; cinema é um trabalho coletivo, e o produto final vai ser sempre a soma de cada pessoa envolvida no projeto. Depois desta experiência eu posso afirmar que a autoria de um filme nunca pode ser creditada a uma só pessoa, como acontece na literatura ou mesmo nos quadrinhos. E eu acredito que isto é o que dá ao cinema este charme - é preciso trabalhar em equipe, ouvir todo mundo, filtrar as idéias, aceitar sugestões e se adaptar ao que você tem em mãos, para contar uma história - este equipamento, esta equipe, estes atores, estas locações, esta luz, este orçamento. E quanto maior o dinheiro envolvido, mais controle você poderá ter sobre a imagem final. Nos quadrinhos, basta ter talento gráfico, alguma idéia interessante na cabeça e um bom tanto de empenho e obstinação. Processo de trabalho Minhas maiores influências em termos de cinema: Spielberg, Tarantino e M. Night Shamalayan. Nos quadrinhos: Frank Miller e Bill Waterson. Para poder imaginar as cenas do filme, comecei fazendo o roteiro simultaneamente com os esboços do storyboard (que já é uma espécie de HQ). Minha experiência de desenhista de quadrinhos pode ter facilitado a visualização das imagens do filme na hora de criar o roteiro, mas na hora da gravação, algumas coisas que imaginei (e que funcionavam no storyboard) não funcionaram muito bem no monitor, então tive que ir alterando o próprio roteiro à medida que filmávamos. Então eu ouvia as sugestões da equipe para resolver determinada cena e depois tinha que decidir rápido, pois o tempo de filmagem era curto - só podiamos filmar até as 18 horas, enquanto havia sol. Então, nessas horas eu me tornava um editor de idéias. Existem muitas maneiras de se mostrar uma idéia na tela, mas na hora de dirigir um filme você, muitas vezes, tem que decidir qual é a maneira mais adequada em um espaço de tempo muito curto, pois a equipe está toda ali, diante de você, esperando apenas uma decisão sua. Neste filme a minha maior influência não veio do próprio cinema e sim dos quadrinhos: a de Frank Miller, principalmente pelo seu "Cavaleiro das Trevas", no tom intimista e no tratamento mais dark da imagem do herói. Dos quadrinhos para a tela Cinema é ilusão. É você mostrar apenas uma parte da realidade e fazer o espectador preencher o resto com a imaginação dele. Neste aspecto é muito parecido com os quadrinhos que também usam de fragmentos da realidade para contar uma história. A transposição dos quadrinhos para a tela foi realmente muito difícil, porque nos quadrinhos praticamente tudo é possível, e você não precisa convencer o leitor de que aquilo é real. Não é, pois é apenas tinta no papel. Já no cinema você tem que ser mais convincente. O público só vai participar da ilusão se você conseguir "enganar" os olhos da audiência (a tal da suspensão temporária da realidade) e fazer o público participar da sua proposta. Então procuramos trabalhar em cima das nossas limitações e fazer um filme possível de ser feito dentro destas limitações tecnológicas e orçamentárias. Embora tenha sido interessante trabalhar com esta escassez de recursos, que nos fez procurar soluções baratas e usarmos a criatividade o tempo todo. Costumo dizer que este filme possui dois orçamentos (somente para pré-produção e filmagem): o verdadeiro (em torno de cinquenta mil reais - se todas as pessoas envolvidas tivessem sido remuneradas, assim como os equipamentos particulares e locações tivessem sido pagos) e o real (de R$ 1.500,00) - que é aquele mínimo básico de materiais sem as quais não seria possível nem mesmo gravar o filme, como as fitas Beta, combustível, alimentação, figurino, maquiagem e alguns objetos de cena. E este último valor foi levantado graças ao apoio de algumas boas almas que ainda acreditam no valor do trabalho artístico e um outro tanto dos nossos próprios bolsos. Diferenças entre quadrinhos e cinema O cinema é uma experiência fascinante por envolver dois de nossos sentidos: a audição e a visão, enquanto os quadrinhos só podem utilizar um - a visão. Numa HQ, os desenhos, muitas vezes, podem atrapalhar o ritmo da narrativa. Você não pode obrigar alguém a ler com o ritmo certo e com o sentimento que você espera que ele sinta e nem que não se distraia com os desenhos (muitas vezes maravilhosos!). Já o cinema possibilita um controle maior sobre o ritmo da narrativa e com a ajuda da música e da fotografia, criar o clima correto. Sem falar no trabalho do ator, que usa seu talento para expressar os sentimentos e emocionar a audiência. Cumplicidade Os quadrinhos e o cinema necessitam da cumplicidade do leitor/espectador para contar uma história. Muitas vezes, você tem que sugerir que algo está acontecendo e mostrar apenas porções da ação para confirmar isso. Se numa HQ você mostra pessoas voando e explica que isso foi devido a uma super-máquina inventada por um cientista alienígena, o leitor vai ter que aceitar esta realidade, esta premissa básica, senão ele nem vai querer continuar a ler, caso acredite que isso "é impossível!!!". No cinema também acontece isso: você tem que explicar tudo que vê na tela ao espectador, por mais que essa explicação seja esdrúxula. E com uma diferença básica: enquanto nos quadrinhos a ilusão é parcial (o que você vê são desenhos e não há som), exigindo do leitor um grau de cumplicidade maior, no cinema a ilusão é mais completa (principalmente no live-action), então você tem que ser mais convincente na criação da sua ilusão. O espectador quer ser surpreendido, enganado mesmo, voluntariamente, mas você não pode ofender sua inteligência porque ele quer acreditar no que está acontecendo na tela, nem que seja por alguns minutos (suspensão temporária da realidade - como citado por Syd Field). Escolha dos atores O Gralha foi ficando cada vez mais jovem e magro nos quadrinhos à medida que desenhávamos ele. Então foi uma escolha até óbvia escolhermos o cartunista Eduardo Jr. Moreira que também participou da gênese do Gralha, e tinha o biotipo adequado (apesar de não ser assim tão jovem, sempre aparentou menos idade). Afinal quem tem superpoderes não precisa necessariamente ter um corpo atlético ou ser um galã. Gostaria que as pessoas se identificassem com um cara comum que poderia ser o seu melhor amigo ou você mesmo. Já o Craniano exigia um ator mais experiente, já que o personagem é mais complexo (por isso, às vezes, o vilão é mais interessante que o mocinho ¿ taí o Darth Vader pra provar isso). O futuro Se eu vou continuar a fazer cinema? Com toda a certeza¿ cinema é como um vício que você não consegue mais abandonar uma vez que você começa. Só sei que não pretendo virar cineasta em tempo integral. Os quadrinhos e a ilustração ainda são o meu ganha-pão e meus primeiros amores. Não dá pra ir trocando assim, ainda mais por um campo ainda tão desprovido de recursos financeiros como o cinema brasileiro. Mas sempre vou querer fazer meus filmes, quando me deixarem. Porque o meu barato é contar boas histórias e emocionar as pessoas com elas, independente do formato, seja cinema, quadrinhos ou o cartum. Novos filmes do Gralha poderão vir, na medida em que houver recursos financeiros para isso. A possibilidade de fazermos outro filme com o mesmo orçamento deste, são quase nulas. Palavras finais Este filme é um pequeno milagre, desses que só acontecem uma vez na vida da gente... Como já citei antes, não tínhamos dinheiro quando começamos a filmar pois queríamos que ele ficasse pronto até a data das comemorações dos 20 anos da Gibiteca e não procuramos a Lei de Incentivo porque não daria tempo... então não tínhamos a mínima idéia ainda de como fazer para terminarmos o filme... mas tínhamos fé, a esperança de que as coisas iriam dar certo no final. Não tínhamos alguém para compor a trilha musical, não sabíamos se as músicas que escolhemos seriam liberadas pelas bandas de Curitiba, não tínhamos ainda confirmado onde faríamos a edição do filme, na verdade não sabíamos nem se o filme entraria realmente na programação da Cinemateca de Curitiba. Mas como um pequeno milagre mesmo, as pessoas que precisávamos apareceram, as coisas foram dando certo, todos começaram a ajudar e colaborar para que o filme saísse, o empenho de todos foi grande, houve até um sacrifício pessoal por parte de muitos... Para se ter uma idéia, o filme terminou de ser editado apenas 30 minutos (!) antes da sua exibição. Podemos dizer que tínhamos apenas um ovo, mas fizemos dele o melhor omelete possível. Tako X takox@takox.com.br posted by EDUARDO MOREIRA 3:57 PM Você já ouviu falar em Gralha? por José Aguiar Caso você não saiba, a gralha azul é a ave símbolo do Paraná. Não se trata de nenhuma ave de rapina. Nem de perto algo imponente com uma águia ou um condor. Estou falando de um passarinho que se alimenta de pinhão, o fruto da araucária (outro símbolo local). Acontece que o danado tem o peculiar hábito de enterrar seu alimento para comer depois. E como a gralha geralmente esquece onde deixou os ditos pinhões, podemos concluir que ela não é uma ave muito esperta. Por isso não espere muito de nosso herói: o gralha. Talvez assim você até se surpreenda com o que vai ler nesta revista. Quando, em 1997, um grupo de quadrinhistas de Curitiba, com quase nada em comum, se uniu para criar uma história com um personagem local, mal sabiam eles a que tipo de criatura estavam prestes a dar vida. A inspiração veio de um tal capitão gralha que teria sido publicado no início dos anos 40 pelo desconhecido Francisco Iwerten. Como não há evidências de que tal material realmente existiu, optou-se por atualizar a lenda. O que, a princípio era uma singela homenagem a um personagem esquecido, passados cinco anos, tomou vultos inimagináveis. O começo foi uma descartável HQ (sem pé nem cabeça) na revista metal pesado - especial 15 anos da Gibiteca de Curitiba. Depois foram dois anos com uma página semanal, no jornal Gazeta do Povo, seguidos por uma coletânea publicada e distribuída em todo o país pela editora Via Lettera, de São Paulo: gralha - primeiras aventuras. Livro agraciado com o troféu HQMIX de melhor álbum de ficção de 2001. Em 2002, o mais impensável dos vôos se tornou real com o lançamento do filme do Gralha: ¿O Ovo ou a Galinha¿. E é este filme que você terá a oportunidade de assistir no DVD que acompanha esta revista. Pois é, o país todo começou a tomar consciência do infame passarinho que patrulha os céus de Curitiba em nome da justiça e dos piores clichês já criados pelos heróis encapuzados. Mas como bom brasileiro, nosso singelo herói não pode (e nem quer) competir de igual com os dolarizados justiceiros que o inspiraram. O gralha, de tão ordinário que é, tornou-se especial e mostrou ser digno de seu espaço em nosso imaginário. Então tomem referências explícitas a locais, pessoas e etnias daqui. Tudo maquiado, deturpado, demolido e regurgitado em nome do prazer que é manipular o ufanismo dos super-heróis e daqueles que aqui vivem. Nesta revista, você é mais que bem-vindo a conhecer um universo que, por mais absurdo e incoerente que possa parecer, tem muito a ver com você. A não ser que nunca, em sua vida, tenha tido a curiosidade de saber como seria ter um herói que falasse sua língua ou morasse no mesmo lugar que você. José aguiar (um dos muitos "pais" dessa ave) quadrinhofilia@hotmail.com O Futuro do Gralha A Curitiba do Gralha é um personagem à parte em seu universo. Nela, a verdadeira foi elevada à enésima potência. Ou seja, ela é provinciana como a verdadeira e ao mesmo tempo uma típica megalópole de HQ. Localizada num futuro indeterminado, ela cresceu tanto a ponto de englobar os municípios adjacentes como bairros seus. Enfim, ela ainda é a capital do Paraná (na verdade, agora ela é o próprio), e um orgulho para o seu país. Pelo menos na fachada. E como o ufanismo anda em alta nessa época "não muito distante", a arquitetura curitibana exprime todo o orgulho de sua terra. Convivendo com um mar de arranha-céus gigantescos estão pinheiros e muitas, muitas árvores, plantadas no topo dos edifícios. Afinal, praticamente não há mais espaço no solo. Uma paisagem surreal, onde convivem prédios arrojados, arquitetura retrô e muito verde. O que demonstra que, ainda no futuro, a cidade quer manter o título de capital ecológica para atrair turistas. Mas como reza a cartilha do bom clichê, nem tudo é perfeito. E o crime continua à solta. E como cada cidade tem o herói que merece, Curitiba também ganhou seu campeão: Gustavo Gomes, o Gralha! Nem alto, nem baixo. Nem feio, quanto mais belo. Eis nosso protagonista: um rosto perdido na multidão. Um adolescente que estuda para entrar na universidade e que mora sozinho numa kitnet paga pela mãe que vive no interior. Discreto, mais por causa de seus segredos do que por timidez, não tem um contato muito pessoal com os vizinhos ou com os colegas de estudo. Afinal, passa boa parte de seu tempo livre metido nos problemas do Gralha. Nenhum gênio nos estudos ou como herói, ele até que se esforça. Na falta de melhores neurônios para combater o crime, ele foi agraciado com os poderes das Gemas do Poder. Mas o que diabos seriam elas? Aquelas bolas na cabeça do Gralha não são apenas enfeites que lembram olhos de passarinho. Podem até parecer, mas são a fonte de seus poderes. Só existem duas e sua origem até o momento é desconhecida. Funcionam exclusivamente em Gustavo, ativando suas capacidades latentes. Herança genética herdada do Capitão Gralha, seu ancestral do século XX. Mas para que isso ocorra é necessário que ele as toque com sua pele. Feito isso ele é agraciado com o poder de vôo, superforça e poderes sonoros que não entende. ALGUNS DOS VILÕES QUE VOCÊ CONHECERÁ AQUI: O Pivete Cibernético Garoto de rua revoltado, porém inventivo e extremamente hábil com o skate. Possui grandes conhecimentos de mecânica para sua pouca idade, tanto que desenvolveu um skate turbinado voador. Especializado em pequenos furtos, com os quais se mantém. Homem - Lambrequim Ele era um lenhador recluso que, ao ser atingido por um raio que ricocheteou (?) num lambrequim, literalmente perdeu a cabeça! Hoje, além de gostar de afiar seu machado em corpos humanos, gostaria de ter uma revanche com o Gralha. Para quem não sabe, lambrequim é um enfeite que pende das calhas nas casas de alguns imigrantes europeus. A Araucária Ex-assistente do dr. Botânico, cientista que manipulava a vida vegetal, foi usada como cobaia num experimento para a criação de um híbrido meio-animal, meio-planta. Graças a isso ela trocou seu sangue por seiva, se tornando extremamente forte e capaz de alterar sua estatura de meros 1,60m para o tamanho do mais alto pinheiro. O Bagre Humano Pouco se sabe a seu respeito, fora ter nascido em Paranaguá e que sua mãe seria uma sereia. Graças a sua aparência pouco agradável e ao preconceito, é um eterno descontente. Ranzinza e introspectivo, seus crimes sempre estão ligados a alguma coisa que o incomoda e o leva a alguma medida extrema. Mas é uma pessoa razoáveL, desde que não o contrariem. Foi preso pelo Gralha em várias ocasiões, sempre cumprindo penas leves. Atualmente está em liberdade. O Craniano Estranho homenzinho, com crânio macrocéfalo tatuado com estranhos caracteres que lembram uma pêssanka. Gênio científico sem igual, é extremamente calculista e incapaz de expressar qualquer emoção. Possui total desprezo pela humanidade, não ligando para dinheiro ou mesmo poder político. Seus objetivos dizem respeito apenas a si mesmo, não importando quem cruze seu caminho. Ninguém conhece seus verdadeiros objetivos e seu paradeiro é ignorado. Dizem que atua ao lado de um certo "João - Ninguém". Para quem não sabe, pêssankas são ovos presenteados pelos ucranianos na época da páscoa. Pintados artesanalmente, seus caracteres tem forte simbologia. João - Ninguém Na Falta de um nome, convencionou-se chamá-lo por esse apelido. Dele sabe-se apenas que sempre está acompanhando as tramóias do Craniano. Mesmo assim, se é como aliado ou capanga, ninguém sabe. De certo, apenas o seu gosto por charutos e o fato de que ninguém jamais viu seu rosto. José Aguiar posted by EDUARDO MOREIRA 3:49 PM |
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